segunda-feira, 23 de junho de 2008

Encantos de uma música

Por: Fernando C.N. Vieira

Devidamente cansado de não fazer nada em minha casa na roça, fui até o meu quarto peguei meu violão, voltei até a cozinha comi de seis a sete pães de queijo que minha esposa Maria Èden da Conceição fez e então comecei a compor uma canção.
Tempo ia a fim de se estender na minha concepção, mas na realidade logo a noite caíra; já eram oitos horas quando terminei minha cantiga. Era uma canção linda que patenteava o amor de perdição entre uma parelha.
Peguei meu violão e passei a letra da ária para suas cordas. Não demorou, pois me entender com meu quinhoeiro era muito fácil.
Comecei a cantar, o ritmo ficou ótimo foi um grande sucesso para mim, enquanto cantava vi algo se mexer, para meu espanto era uma aranha, peguei um pedaço de pau para matá-la, mas já era tarde, pois ela já havia fugido, correu para trás de uma fresta na parede. Fique uma hora ali, parado, em frente à fresta, esperando que a danada saísse, tinha que matá-la, pois ela é enorme e podia nos picar.
Já que não saía deixei pra lá, não contei nada a minha mulher para não criar pânico, passaram-se dias não a vi nem ouvi falar.
Um dia peguei meu violão e fui tocar minha canção, enquanto tocava ela apareceu, me levantei rapidamente más não adiantou, novamente foi para trás da fresta, continuei a cantar e ela saiu de trás da fresta, desta vez não parei de cantarolar, fiquei ali quieto a observando. Ela mal se mexia, foi quando percebi que a aranha era encantada com minha música, assim que eu parava de tocar ela se escondia.
Para mim era tudo muito curioso, mas deixei pra lá, todos os dias ia cantar e ela sempre como uma mera espectadora, quieta, alucinada. Não me dava conta, más aquela aranha já era minha amiga, eu já a dava até o que de comer (insetos).
Meu primo Bernardo Sâmeres veio passar uns dias conosco, ele também tocava violão então fomos até a cozinha, queria ver a sua cara, quando notasse minha amiga apreciando a ária. Começamos a cantar e ela apareceu, num pulo sem dó meu primo Bernardo a esmagou dizendo:
-Viu o tamanho? Mas eu acabei com ela!
Fiquei atônito com o alvoroço, meu coração acelerou de repente, fiquei tremá-lo, meu olho esquerdo deixou uma lágrima cair, não consegui disser nada, nem um não...
Assim ela se foi e levou consigo meu violão.

2 comentários:

Casos e acasos disse...

Lindo texto, muito comovente, só não entendi o final.. depois gostaria que me explicasse.
Maíra

Casos e acasos disse...

Nossa que historia heim??muito boa..a liçao de moral dela é incrível!

bjos