Por: Fernando C.N. Vieira
Certo dia parei para refletir sobre a vida humana e comecei por analisar a minha. Pensava em meus sentimentos e percebi que o futebol, um esporte popular, aqui no Brasil está totalmente ligado as minhas alegrias, tristezas e que este me dá prazer desde a minha infância. Sou cruzeirense e milanista e para aqueles que adoram o esporte parece impossível alguém torcer para dois times, más é a verdade, adoro os dois, torço igualmente, não vejo fronteiras e se você duvida, eu te pergunto, entretanto você para responder deve ser pai ou mãe e ter pelo menos dois filhos, enfim eis a pergunta: “Quais dos seus filhos você mais ama?”
Não me julguem, por favor.
Retomando...
O futebol é importante para mim como para a maioria das pessoas do Brasil e me pus a refletir sobre nossos comportamentos devido a esse esporte.
Todas as pessoas trabalham e recebem pelo seu trabalho exercido, com jogadores de futebol é assim também, recebem assim como nós, o dinheiro mensal pelo trabalho realizado. Pra mim, futebol não deveria passar de um lazer, más como é uma profissão reconhecida e times são verdadeiras empresas, é justo que estes profissionais obtenham lucro com a atividade. Contudo, para mim é um contra-senso um jogador de futebol, até mesmo aqueles horríveis terem um salário ‘mil vezes’ superior a de doutores, pós-doutores, graduados e principalmente médicos, porque estes são verdadeiros salvadores, servidores da vida. Além disso, é um absurdo que um ser humano seja uma mercadoria, pois um jogador de futebol tem preço, ou seja, até mesmo você meu leitor se tiver o dinheiro pode comprar um jogador; parece que vivemos na época da escravidão.
Segunda pergunta: “Você acha justo que jogadores de futebol tenham salários altíssimos?” “Eles fazem por merecer?”
Refletindo também, notei que a culpa para esses salários absurdos são da torcida; dos que vão ao estádio e também daqueles que assistem ao jogo pela TV ou internet, e escutam pelo rádio. Em outra oportunidade explico melhor, porque sobre torcida quero falar de coisas mais sérias.
Algumas pessoas pagam quase meio salário mínimo por um simples ingresso para poder assistir a uma partida de futebol do seu time ou da seleção do seu país. Outra coisa interessante, é que o homem, que é tão machista, quem nem olha pra um homem direito, que nem abraça, que nunca diz: “vai Ronaldo”; em uma partida faz isso tudo e muito mais, os preconceitos “somem” e o que a sociedade julga errado é momentaneamente irrelevante.
Fala que não é estranho, imagina quem não conhece o esporte, vinte e dois homens correndo atrás de uma bola e cem mil pessoas nas arquibancadas assistindo em euforia total a uma partida que pode não ter gols.
O fanatismo do torcedor é tão grande que o mesmo admite amar o time, sem receio do peso da palavra, uma atitude esquisita para um homem, pois a maioria não admite seu amor nem para a sua esposa, mãe ou filhos. Como entender? Por isso retiro minha comparação inicial, ou seja, comparar o que sinto pelos meus times, com o amor sentido por pais pelos filhos.
Desde já julgo a atitude como intolerável e estúpida, o que certos torcedores fazem como odiar os rivais, brigar e matar outra pessoa. Atitude desumana.
Enfim, como uma coisa tão supérflua pode tornar-nos seres humanos desumanos, insensatos, rebeldes, lesados, alucinados, fanáticos. O que ganhamos com isso?
Será que alegria é suficiente?